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Mãos de cavalo

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“Mãos de cavalo” (Companhia das Letras, 189 págs.) é o terceiro livro publicado pelo escritor Daniel Galera. Os outros dois são “Dentes guardados” (contos) e “Até o dia em que o cão morreu” (romance), em 2001 e 2003, respectivamente, ambos pela editora Livros do Mal, criada por ele, pelo também escritor Daniel Pellizzari e pelo ilustrador Guilherme Pilla, e que atualmente se encontra “desativada”.
 
  Na nova obra de Daniel Galera, duas histórias são narradas, em capítulos alternados: a de um garoto, sua infância e adolescência, e a do adulto que esse garoto se tornou.
 
  Seu nome é Hermano. “Mãos de cavalo” é seu apelido quando jovem, “por causa do comprimento exagerado de seus braços e das mãos enormes e possantes como as de um estivador nórdico, contrastantes com seus meros quinze anos de idade”.

 Então morador da Esplanada, “que era o nome de um loteamento residencial mas operava na psicologia de seus moradores como algo muito mais imponente, como o nome de um verdadeiro bairro. Se a Esplanada ainda não era um bairro, um dia seria”, na cidade de Porto Alegre, Hermano é um garoto introspectivo, não fala muito. Mas isso não o impede de conviver com os garotos que moram na Esplanada e redondezas.
 
 O Hermano adulto tem trinta anos de idade, é um cirurgião plástico bem sucedido (boa parte do sucesso se dá por conta das suas “mãos de cavalo”), casado e com uma filha. Mas esse Hermano “na verdade é um homem solitário…”. Podem me corrigir se eu estiver errado, mas nos capítulos que narram a vida adulta do “Mãos de cavalo”, seu nome não é citado uma vez sequer. O homem se perdeu do menino. A única coisa que talvez ligue um ao outro talvez seja a vontade de desafiar limites.

  Sempre existiu dentro de Hermano uma inquietação que o forçava a testar seus limites físicos. Quando criança, costumava correr – a pé ou de bicicleta – por horas seguidas, até não mais poder. Tinha também uma tendência masoquista ou suicida, talvez, pois às vezes provocava – sim, propositadamente – quedas quase fatais de bicicleta. O adulto que ele se tornou muda de hobby, mas continua tendo a necessidade de correr riscos. Ele pratica alpinismo.
 
  E é quando um amigo o desafio a escalar uma montanha ainda não explorada por aventureiros, que se inicia a “odisséia” de Hermano.
 
  Ao invés de seguir o cronograma – que seria ir até a casa do amigo, para de lá iniciarem a viagem -, ele cruza as ruas de Porto Alegre, buscando respostas que talvez jamais encontre. Hermano vai atrás de seu passado e chega à já encorpada Esplanada, para tentar resolver pendências de seu passado. É quando ele quase tem um encontro consigo mesmo, e sua vida talvez mude a partir daí. Se isso ocorre ou não, é uma outra história.

  Tive a oportunidade de ler romances que contam a história de um personagem utilizando duas ou três fases de sua vida, alternando os capítulos. E não tenho boas lembranças. A linguagem de Daniel Galera – no sentido de saber qual o tom adequado para esta ou aquela cena do livro – é o que faz a diferença e torna “Mãos de cavalo” um belíssimo e imperdível romance.

Written by Rafael Rodrigues

July 13, 2006 at 4:12 pm

Posted in Resenhas

2 Responses

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  1. [...] e projetos gráficos que mais gostei em 2006. Ela fez as capas e os projetos gráficos de “Mãos de cavalo“ (Daniel Galera), “Cartas a um jovem contestador” (Christopher Hitchens), [...]

  2. Adorei o seu blog muito dez!!! Está de parabéns! Muito interessante!
    ah se puder acesse meu site também da nossa clínica de psicoterapia e terapias alternativas!
    http://www.haraterapias.com.br/inicio.html

    grande abraço,
    Clarissa

    Clarissa

    January 15, 2008 at 8:00 pm


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