Archive for November 2006
Ah, sim
Duas coisas: a entrevista com FMC e a resenha de “Malvadeza Durão” saíram no blog Paralelos há alguns dias, eu que esqueci de avisar aqui.
E não tinha colocado o link para o site da editora Agir.
Hoje está um dia legal
Sim, do jeito que está no título, porque o dia ainda não acabou e eu não quero saber de correções gramaticais, ok?
Pela manhã tive uma ótima notícia: amanhã não tenho aula. Que maravilha! Pra quê melhor? E ainda vi minha bem-amada na velha facul. Boa manhã pra mim.
E quando cheguei em casa, me avisam de que mais um pacote de livros tinha chegado. Dessa vez, dois do Flávio Moreira da Costa: “O desastronauta” e “Livramento”, que ele gentilmente pediu para a editora me enviar. O primeiro, um romance; o segundo, de poesias. Ambos publicados pela editora Agir recentemente. Um em setembro e o outro ainda nem chegou às livrarias, pelo que andei olhando.
“O desastronauta” foi publicado pela primeira vez em 1971 e só agora é reeditado. O livro vem com um apêndice, com trechos de críticas da época e com um trecho da orelha da edição original, escrita por Rubem Fonseca. A edição é de babar. E o livro só pode ser bom, não tem como ser ruim.
“Livramento” é o segundo volume da “Trilogia de aldara”, composta pelo romance ”O país dos ponteiros desencontrados” e por “Alma-de-gato”, que deve ser publicado daqui a algum tempo, espero. Vou até perguntar a ele, depois, porque o título não se encontra na lista de livros dele publicados. Folheei “Livramento” e li algumas poesias, das quais gostei muito. Estou descobrindo a literatura de FMC. Aliás, a editora Agir está de parabéns por estar reeditando a obra deste escritor porto-alegrense de nascimento e carioca de criação.
Abaixo vocês podem ler a resenha que escrevi de outro livro do autor, ”Malvadeza Durão e outros contos“, de contos, que saiu também há pouco tempo e uma entrevista que Flávio Moreira da Costa me concedeu por email.
Malvadeza Durão e outros contos
Eu nem deveria dizer isto, pois estarei expondo aqui a minha fragilidade como leitor e, diria até, de alguém que quer estudar e conhecer ao máximo a literatura e a história da literatura de sua pátria. Mas como ninguém de tudo sabe, a não ser aquele que acima de tudo e de todos está, e também por eu ter consciência de que tenho muito tempo pela frente para ler, conhecer e estudar, eu digo: não sabia que Flávio Moreira da Costa é também escritor de ficção.
Pois é. Saber que ele é o mais requisitado organizador de antologias do país eu já sabia. Mas que ele também escreve, isso, não.
E fiquei sabendo meio que por acaso, quando vi, aqui mesmo na rede, a capa de “Malvadeza Durão e outros contos” (Agir, 240 págs.). Bela capa, aliás. Muito bonita, mesmo. Mas o que mais me atraiu no livro foi o autor. Fiquei muito curioso para conhecer os escritos de Flávio Moreira da Costa. Consegui o livro, e cá estou eu falando dele.
O volume é composto por três livros, na verdade. Nas palavras do próprio Flávio: “Um livro inédito, ‘A humanidade está em obras’ e dois ‘novos’, ‘Malvadeza Durão’ e ‘Os espectadores’, que incluem meu segundo e primeiro livros de contos, respectivamente, dos quais aqui vai uma seleção e não o total das histórias ou narrativas. Por ‘novos’, portanto, cautelosamente colocado entre aspas, leiam-se esses dois últimos livros citados, renovados e reescritos. São novos velhos contos”.
O que se vê nos contos de “Malvadeza Durão e outros contos” do livro é um autor que não tem medo de arriscar, de jogar com as palavras. Nem de desconstruir o gênero a que se propôs a escrever.
É o caso de alguns contos em versos presentes nas páginas que compõem “Os espectadores”. Um deles, inclusive, é uma homenagem a Clarice Lispector e tem o título de “Maçã no escuro”. Em “Aquela história de 8 ou 80″, Flávio Moreira da Costa mostra seu bom humor: “Um anão costumava dizer:/ O que vem de baixo não me atinge./ Não se sabe se estava sendo irônico ou inconsciente./ A verdade é que nunca foi atingido…”
Amante do futebol, Flávio Moreira se vale do tema em alguns contos do livro. Em um deles, “A solidão do goleiro”, sentimos a agonia de um goleiro da seleção brasileira que, às vésperas de um jogo decisivo, descobre estar sendo traído pela esposa. Mas, mesmo assim, ele insiste em jogar a partida. A tensão do jogo e a angústia do goleiro provocadas pela narrativa de Moreira da Costa dão a impressão de estarmos mesmo assistindo àquele jogo.
A violência e as questões sociais também servem de matéria prima para o autor. Como no conto “Malvadeza Durão”: “Mas veja só o caso do Mineirinho: era um bom menino, sempre foi; nunca entendi como conseguiram transformar ele num criminoso…”.
Entre contos tradicionais e contos experimentais, digamos assim, Flávio Moreira da Costa demonstra total domínio sobre seus escritos.
Na entrevista abaixo, concedida por email, o autor fala sobre ele mesmo, suas obras e sobre as obras dos outros, claro.
Conte um pouco de sua vida. Onde você nasceu? Qual sua formação? Onde mora hoje?
Minha vida é uma vida em segredo – ou será que é um palco iluminado? Nasci em Porto Alegre, corri o mundo, vivo no Rio. Minha formação foi ler, ler, etc. Parece que já fui jornalista, aliás, desde os 15 anos. Não sou mais há cerca de vinte anos. Entrei em quatro cursos universitários, e saí deles todos antes que fosse tarde demais. Vivo de literatura.
Quem nasceu primeiro? O escritor ou o antologista Flávio Moreira da Costa? Como aconteceu sua primeira investida em ambas as áreas?
Aos 15 anos já publicava poemas e artigos em Porto Alegre. E aos vinte fazia minha primeira antologia, “Antologia do conto gaúcho”. Comecei com a poesia e, embora nunca a tenha abandonado, ou ela nunca tenha me abandonado, só agora retomei o gênero: sai em novembro “Livramento”, pela Agir, que vem a ser o segundo volume (as poesias não são minhas: são de João do Silêncio) da Trilogia de Aldara, cujo primeiro volume saiu há uns dois anos: “O país dos ponteiros desencontrados” (também publicado pela Agir).
(Continua no post abaixo…)
“Fora da literatura não há salvação”
Em boa parte dos contos reunidos em “Malvadeza Durão e outros contos” você aborda um tema (a violência) que hoje é discutido excessivamente nos jornais e talvez muito pouco discutido por quem realmente deveria estar discutindo, que são os políticos. Qual a relação que você faz entre a situação do país hoje e a que se via na época do conto “Malvadeza Durão”, de 1976, por exemplo, no qual o narrador diz “Mas veja só o caso do Mineirinho: era um bom menino, sempre foi; nunca entendi como conseguiram transformar ele num criminoso.”
Piorou, tanto a situação quanto a literatura que se relaciona diretamente com essa realidade. A malandragem de antigamente foi substituída pela picaretagem, pelo banditismo e pela criminalidade. Acredito cada vez mais, como Borges, que a literatura se relaciona não com o real imediato mas com a própria literatura.
O futebol também é outro tema que você parece gostar bastante. É um assunto que deveria ser mais abordado pelos escritores, já que o esporte é inerente ao brasileiro, ou isso não tem nada a ver? É mais difícil escrever “ficção futebolística”? Tão poucos escritores se dedicam ao tema…
Eu tento explicar isso na introdução da minha antologia “22 contistas em campo” (Agir, 2006). Não acho que o escritor tenha que abordar este ou aquele tema mas abordagem do futebol entre nós tem sido esparsa, mas existe. O resultado da antologia mostra isso.
Outros contos seus abordam o “problema do escritor”, que pode ser chamado de “a dificuldade em escrever”, por alguns. Isso se faz presente em “O pior romance do mundo” e “Os armênios estão morrendo ou Notas para um conto a ser escrito talvez pelo leitor”. Para você, é difícil escrever? E escrever sobre escrever? Fale um pouco sobre “o problema do escritor”, se é que esse problema realmente existe.
Só escrevo quando não consigo deixar de escrever. Aí então a coisa sai com certa facilidade. No geral é difícil, sim. Mas pra mim, é fundamental: fora da literatura não há salvação. Nem solução.
Muitos contos presentes no livro são das décadas de 70. Alguns até do fim da década de 60! Quando você os escolheu para compor “Malvadeza Durão e outros contos”, alterou muita coisa? Seria um exagero dizer que, seja qual for o escritor, os textos nunca são definitivos? Cada nova leitura pode trazer uma mudança, mesmo que mínima?
Sou um compulsivo-obsessivo: não consigo sequer passar uma carta a limpo, por exemplo, sem mudar alguma coisa. Imagine um livro. Talvez seja por isso que, quando um livro meu sai publicado, não consigo relê-lo. A literatura é infinita, é interminável.
E pra terminar, uma pergunta quase que inevitável: você tem lido a nova safra de escritores brasileiros? Se sim, o que tem achado dessa “nova literatura”? O que você imagina para o nosso futuro literário?
Há uma safra nova de escritores, claro, e isso sempre existiu, mas não creio que haja uma “nova literatura”. Não li tudo, mas do que eu li, me agrada a força de Joca Terron e do Ruffato e a delicadeza de Adriana Lisboa. Mas a literatura de sempre não costuma perdoar a pressa, pressa de escrever e pressa de editar. Confesso que às vezes me irrito ao ler entrevistas de alguns destes autores. Uma delas (pois é mulher) chegou a dizer que era “INEVITÁVEL” ter influência de Rubem Fonseca, coisa que ela tem de sombra. ORA, INEVITÁVEL POR QUE? Pra não falar daqueles que acham que a literatura começou com John Fante ou Bukowski. Aí me lembro da resposta que Nelson Rodrigues deu a uma pergunta sempre presente “Que conselhos o Sr. daria aos novos?” E ele: “Envelheçam, meus filhos, envelheçam.” Ora, no fundo, “novo” nada tem a ver com a cronologia: “Memórias Póstumas de Brás Cubas” não é um romance novo?

Malvadeza Durão e outros contos
Flávio Moreira da Costa
Agir
240 páginas
R$ 34,90
Dois novos links
Incluí na listinha de links mais dois blogs. O do JP Cuenca, escritor, autor do romance “Corpo presente”, e do Edward Bloom, protagonista do romance “Big Fish”, do escritor americano Daniel Wallace, que saltou das telas e agora anda blogando por aí.
Um trechinho do primeiro post do Cuenca no blog dele descreve ambos:
“Uma página sem assunto pré-definido, editor ou pauta. Sem intermediários entre as minhas obsessões, a ponta dos meus dedos no teclado e a tela do computador. Sem nenhuma regra que não seja definida por mim e que não possa ser mudada, pela mesma pessoa, quando quiser. Ainda assim, cheio de vontades, espero ganhar um ou outro leitor no caminho – tampouco gosto de falar com as paredes, embora muitas vezes isso seja inevitável.”
Babes with books
Essa vai para os admiradores da beleza feminina, admiradoras também (lésbicas ou não) e para os tarados (literatos ou não), é claro.

É o blog Babes With Books, com fotos de mulheres lendo ou segurando um livro. Ou perto de um livro ou livraria ou estante de livros, enfim. Tendo mulher e livro ou livraria na fotinho, tá valendo.
O blog é americano, mas menininhas brasileirinhas que quiserem soltar a franga e mostrar o que não têm mostrado por aí, é só tirar uma foto e mandar pra lá. Mamãe e papai não vão ver. Os amiguinhos idiotinhas também não, porque eles não gostam de ler e não vão nunca saber disso, porque eles não conhecem nem o blog do JP Cuenca (que foi de onde peguei a dica), nem o meu, nem outros blogs que porventura indiquem o BWB.
As cartas
O bom jogador administra as cartas que tem. E também as que não tem, fazendo-se valer do blefe.
Mau jogador é aquele que, sabendo que a mão não é boa, confia demais, aposta e perde.
O bom jogador nunca aposta tudo o que tem, sempre deixa um guardado. E nem por isso é covarde.
Eu tenho algumas cartas na mão. E não vou desistir delas assim, tão fácil. Mesmo que a próxima mão seja ainda melhor.
O baú de Nelson Rodrigues
Resenhazinha desprentensiosa e divertida (na minha opinião), escrita por mim, claro, do livro “O baú de Nelson Rodrigues”, lá no Argumento.
Eu tenho a fórmula das resenhas. Espero que ela não acabe tão cedo.
Falando de livros de novo
Devo estar lendo 4 livros ao mesmo tempo, perdi as contas já. Complicado. Um deles meio que me tirou de uma lagoa movediça. Falarei dele depois, porque não vou gastar o título dele assim num post rapidinho como esse.
Ah, nem tive a prova ontem. A professora tinha mudado a data, graças a Deus. Estudarei esses dias.
Hum… Recebi vários e bons livros esses últimos dias. Ontem foi o grand-finale desse mês, pois só recebo livros agora mês que vem, com uma caixa do Digestivo.
Dentro dela, vários livros muito bons. Um deles, que eu subestimei e comecei a ler pensando que apenas iria comprovar que é mesmo ruim, estou gostando pra caramba. “O homem dos círculos azuis“, daquela coleção de literatura policial da Companhia das Letras. Apesar do nome, Fred Vargas, é uma escritora a autora do romance.

Fora da caixa, consegui o romance “A síndrome de Ulisses“, do colombiano Santiago Gamboa, publicado aqui pela editora Planeta e que tem, talvez, a capa mais bonita do ano, não por conta da linda modelo que posou para a foto, mas pelo contexto dela. O conjunto da obra, enfim.

Vou tentar falar dos outros no decorrer dos dias, porque todos eles valem a pena. E como eu já comprei alguns livros só de ler a opinião de alguns blogueiros, como o Sérgio Rodrigues, por exemplo, não me custa nada colocar alguma coisinha aqui. Vai que um indeciso procura sobre o livro no Google, cai aqui e compra o livro por conta de um comentário meu?
Isso me deixaria bem contente.
As sementes de Flowerville e outros tantos livros
Opa, tudo bem com vocês?
Quem entra aqui, ainda, afinal?
Estive longe do blog nos últimos dias por conta de um tempo nublado por aqui e por conta de algumas leituras e provas na facul também. Amanhã tenho outra, aliás.
Saca só essa fotinho:

Aí é o seguinte: primeiro, a foto foi tirara com o celular, e por isso a qualidade não tá legal. Mas o que importa é que à esquerda, vocês vêem as provas do livro “As sementes de Flowerville”, romance recém-lançado do Sérgio Rodrigues, de quem não sou parente. Notem que ele está encadernado e tal.
À direita, vocês vêem o livro já em formato de venda, que chegou hoje aqui em casa, já em brochura. Ele me mandou as provas antes de o livro chegar às livrarias. Terminei de lê-lo por estes dias, pois optei por não correr demais na leitura, ou seja, não ler apressadamente só para escrever uma resenha antes de todo mundo, que foi o que pensei em fazer logo que ele me avisou que ia enviar a prévia do livro. Preferi ler com calma e escrever a resenha com calma também, depois. Entonces, em breve tem resenha dele em algum site.
Mas já adianto que o livro é muito bom. Diferente do que a maioria dos autores brasileiros estão publicando. O Sérgio optou por seguir uma linha mais urbana, a meu ver. Mas diferente da “linguagem urbana” que muita gente diz que usa. No caso de “As sementes de Flowerville”, o “urbano” é tudo o que está acontecendo ao nosso redor e a gente não está percebendo, ou faz de conta que não percebe. As cidades crescendo em ritmo estonteante, as desigualdades sociais aumentando cada vez mais, o domínio de poucos sendo soberano à maioria da população, enfim, é a crônica de um péssimo futuro anunciado, por assim dizer e por assim fazer mais um dos intermináveis trocadilhos com o título do livro do García Márquez.
Em tempo: terminei também de ler “Eu, Deus”, do Sidney Garambone. Aliás, também um romance diferenciado e de fuder também, como o do Sérgio. E em breve resenha dele também.
Post sem links, porque estou na pressa aqui.
Abraços a todos, e até breve!
Do sonho pretendido
“Vilezas e transgressões não as conheço nem as cometi, penso eu. Medos e pulsões tenho aqueles que talvez atinjam a todos que tenham um sonho: o de não atinjir meus objetivos, não alcançar o sonho pretendido.“
Eu mesmo, em email a R.C. de Brito.
Um quarto com vista
Poucos são os escritores que conseguem êxito na literatura de ficção e também na crítica literária. Na maioria dos casos, o sujeito é excelente ficcionista, mas um crítico mediano. Ou vice-versa. O britânico E.M. Forster encontra-se no grupo da minoria. Pois, além de ser reconhecido como um grande estudioso da literatura, é também autor de admiráveis obras de ficção. “Um quarto com vista” é uma delas. (Trecho da minha coluna dessa semana no Digestivo)